Este blog é para aqueles que, como eu, sempre que viajam de ônibus, carro, avião, jegue ou seja lá o que for, sempre aproveitam esse tempo para pensar, refletir sobre a vida ou mesmo distrair-se para o tempo passar mais rápido!! Boa viagem!!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Ser o que nem sei se sou, pelo simples direito de poder ser.



Afinal de contas, quem eu sou?
Acho que esse é o impulsionador de todos os textos do blog ( e de cada postagem do face e de cada história que eu conto pessoalmente).
Releio textos desse blog e percebo que sou/fui tantas coisas. Cada tempo uma coisa. Mas o que fica de contínuo? O que permanece em todas as fases?
Preocupei-me sempre com a lógica, com o certo, com o que "faz sentido". Pouco me permiti sentir realmente. Fujo dos sentimentos até que acontecem coisas que não me permitem mais fugir, onde os sentimentos são arrancados, todos de uma vez, sem que eu tenha tempo de trancá-los.
É difícil responder à "quem sou". Cada pouco mudo de opinião. Mas percebi uma constante, essa vontade de ver os outros bem focando na questão de serem respeitadas na sua forma de ser.
Engraçado não? Quero para os outros o que quero para mim. Escolhi trabalhar com as pessoas justamente aquilo que tenho de mais deficitário em mim.
Pois é, fudeo. 
Melhor então tentar responder o que eu quero ser. Não me vem nada relacionado a profissão, status civil, social ou econômico. Tudo o que penso é em poder ser livre, ser como quiser, ser como sou. Nada de barreiras estéticas, financeiras ou políticas me definindo.
Ser EU.
Aí complica, porque comecei dizendo que não sei quem sou. Mesmo assim, quero ter a liberdade para descobrir e mudar de opinião, se assim desejar.
o que quero é liberdade e tenho certeza que essa é uma das minhas constâncias (achei outra!!).
Não quero pertencer à um padrão, estar na moda, ser de um grupo. Quero ser o que quiser, sem me sentir pressionada a ser outra coisa.
Não sei o que sou, mas o que quero ser é utopia.




quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Um dia, todo mundo cansa.

Não há nada que dure para sempre quando não é alimentado.
Sim sim, quando não é alimentado.
Não quero aqui, acabar com seus sonhos, seus projetos, seus amores.
Quero mesmo chamar atenção para aquelas coisas que sabemos, bem lá no fundinho, que não vão dar certo e mesmo assim continuamos alimentando.
 As vezes usando uma energia que nem temos sobrando e que precisa ser tirada de coisas vitais.
Fico eu, como psicóloga que sou, me perguntando porque diachos fazemos isso.
Levanto várias hipóteses e a que parece ter mais fundamento é que usamos esses planos para nos desviar das coisas que realmente deveriam estar recebendo nossa energia.

É difícil encarar o mundo na "cara e na coragem". As vezes precisamos divagar. As pessoas com esquizofrenia que o digam.
 Mais levitar que manter os pés no chão parece divertido no início. Dá a sensação de felicidade, liberdade. Depois de um tempo dá enjoo. Vontade de pôr os pés no chão e já nem mais saber como se fazer.

Ai! Tão complicado ser gente.

Daí quando você percebe tudo isso, tem vontade de sair correndo e revolucionar sua vida. As vezes até faz isso. E percebe que é furada. Porque na correria não dá tempo de alicerçar bem seus planos.

Não tenho muita experiência de vida, mas se tem uma coisa que eu posso afirmar aos 26 anos de experiência é que é melhor fazer poucas coisas com calma do que sair fazendo tudo de uma vez, com pressa, sem pensar.

Isso tá parecendo papo de reflexão de fim de ano né?
Pode ser. Porque eu tenho mesmo a sensação que esse ano já deu o que tinha que dar.
Tô apostando no próximo.
Mas calma, não tô saindo tipo louca comprando todos os bilhetes de aposta em janeiro.
Tô dando pequenos passos para chegar em janeiro respirado melhor.

Então, se você perceber que algo não te faz bem é simples: pare de alimentar. Melhor, pare de regar, pois nada sobrevive sem água, por mais resistente que seja.

Boa noite!

P.S: Mas que estranho, eu postando alguma coisa que não seja sobre amor.
É mais sobre amor do que vocês podem imaginar (ou de um sentimento que eu pensava ser amor)!


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Perdi as palavras.

Sabe quando você quer falar, mas não sabe o que dizer?
Pois é, pois é, pois é...
Os conhecidos diriam que estariam surpresos por essa "matraca ambulante" estar calada, mas os que realmente me conhecem sabem o quanto divago nos assuntos antes de dividi-los com o mundo.
Vou usar uma música porque acho que é minha melhor saída enquanto tento organizar todas as coisas que estou sentindo.


Até mais.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Dor de côrno sem chifres.




E volto eu correndo pro blog.
Leitores conhecedores da página pensarão: mais uma dor de corno.
E não é que eles tem razão!
Nada mais me faz ter tanta vontade de escrever do que uma boa e velha dor de corno.
Não, não. Nada de chifres.
Nenhuma promessa de "não olharei para nenhuma outra pessoa no mundo" foi quebrada. Até porque nunca houve uma.
No único relacionamento sério que tive essa frase nunca precisou ser pronunciada porque era desnecessária: nenhum dos dois achava que precisava dizer ou ouví-la.
Mas enfim, estava falando sobre a nova dor de corno.
Então...
Quando você conhece alguém e, de cara, pensa: nossa, essa pessoa é uma palhaça como eu.
E é uma palhaça como você, gosta de futebol e das mesmas músicas...
Um estalo surge na sua cabeça: "não seria ótimo se nos apaixonássemos? Combinamos tanto!".
Seria.
Acontece que o amor não é uma coisa planejada, arquitetada (embora algumas linhas teóricas da psicologia dizem que podemos manejar os sentimentos. Eu discordo).
Que pena. Quem sabe seria tão melos doloroso, teríamos menos equivocos.
Mas sabe, as alegrias também seriam menores.
Com o passar do tempo eu venho descobrindo que as grandes alegrias vem das coisas inesperadas mesmo e da capacidade que elas tem de nos surpreender e de nos tirar da velha linha de raciocínio.
E voltando à dor de corno.
Como o cérebro de vocês grita de vez em quando: as pessoas não são assim perfeitas como a gente imagina nos momentos de alegria.
Perceber que a pessoa que idealizamos não é esse ideal é um choque de realidade bem grande.
Essa minha mania de inventar tantas coisas, inventou uma pessoa que não existe, um sentimento que era carênia maquiado de amor.
É como pôr chifres em você mesmo.
Mesmo sendo dolorido, a realidade é o melhor.
É melhor mesmo colocar os pés nos chão.
Daqui uns dias vem outra pessoa, e outro sentimento puro/maquiado e a roda começa girar tudo outra vez.
Alguém me segura. Lá vou eu denovo....
Ah!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Quando "cai a ficha".



Desde pequena participei do CTG e por muito tempo ele esteve presente na minha vida.
CTG = Centro de Tradições Gaúchas, lugar onde desde pequenos aprendemos as características
culturais do povo do qual somos descendentes.
As pessoas que não conhecem essa realidade sempre me perguntam sobre chimarrão e churrasco.
Não as condeno. Essa é a imagem que vendem da nossa tradição. Mas ela é mais que isso.
São as danças, as declamações, as histórias, o jeito que um peão e uma prenda devem portar-se para
a boa convivência e respeito de todos.
Eu me lembrava dessas coisas. Lembrava da alegria de dançar, de conviver com os amigos, das apresentações para as pessoas da nossa cidade, das participações nos rodeios artistícos.
Tantas boas lembranças....

Era disso que eu me lembrava.

Ao chegar lá primeiramente me deparei com aquele ar de magia com o qual me lembrava, mas depois de 10 minutos lá comecei lembrar de todos os outros detalhes que não tinham sido contemplados no meu arquivo de memórias mágicas.
Nesse arquivo não tinha salvado como era chato conviver com os guris da nossa idade que uma hora agiam como "crianças"correndo por todos os lados e gritando e em outras queriam ser os Dom Ruans com suas cantadas e passadas de mão insultantes.
Aí como eu odiava essas coisas. Essas misturas entre pares de dança e pares de casal.
Saco!

Também havia me esquecido como era frustrante ir em todos os ensaios e nos dias que tinha competição as pessoas que quase nunca iam no ensaio irem e detonarem com os nossos pontos.

Não gostava de nunca ter um lugar para ensaiar, sendo que muitas e muitas vezes ensaiamos na rua mesmo.

E que saco quando inventavam uma coreografia que nem nós engoliamos e ainda tinhamos que apresentar aquilo para as outras pessoas.

Que saco, que saco, que saco.

Ali, sentada assistindo aquele ensaio comecei pensar em quantas coisas a nossa memória acaba manipulando.

Passei duas semanas pensando em muitas coisas da vida.
Quantas lembranças que eu tinha como ruins que comecei observar e na verdade não eram tão ruins como eu pensava.
Mas o pior: quantas pessoas e lembranças que eu tinha guardadas na pasta de mágicas ou perfeitas e que no fundo deviam estar na pasta de coisas sem graça.

Que faxina que eu precisei fazer.
Muita coisa não foi jogada fora mas foi preciso que trocassem de lugar.

E eu que vinha mexendo mas minhas memórias mágicas vi, como num passe de mágica, coisas que eu estava encarando como sagradas virarem banais.
Uma pessoa em especial que eu só lembrava das coisas boas e das qualidades e que rapidamente comecei me lembrar dos defeitos e de todos os motivos que me levaram a tomar todas as decisões que tomei.

Me sinto tão mais leve.
Encontrei nesse faxina a parte de mim que eu nem sabia que tinha perdido.

A trilha sonora da vez é o maravilhoso som da moeda caindo.
E que, por mais dolorosas que sejam, que mais moedas continuem caindo.
A realidade é doida quando se apresenta mas é libertadora.
Amém.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Me deixa aqui. Só mais um pouco....

Sabe quando você anda assim, meio sem saber o que falar?
Não, não, não é isso.
Sabe quando você não quer explicar o que você falou porque nem você sabe porque disse aquilo?
Então, o aplicativo de notas do meu celular está cheio de temas e textos incríveis que eu tive pro blog.
Mas e se alguém comentar?
Eu nem vou ter forças ou motivação pra responder.
Então deixei tudo meio anotadinho lá.

E também porque eu não ando cheia de certezas pra nada ultimamente.
Mentira, não é bem isso também.
É mais um cansaço.
Dizer não muda as coisas.
Ficar em silêncio também não.
Correr atrás das coisas? Têm me trazido coisas mais ruins ainda.

Quer dizer, não bem ruins.
Tem me aberto os olhos.
Não que eu não visse o mundo, mas é que o que estava ocupando minha atenção era um mundo
de fantasia, maravilhoso.
Um desses onde a Alice um dia foi parar.
Se tem coelho apressado e chapeleiro maluco?
Não, mas tem príncípes que nunca se transformam em sapos.
[Pode acreditar, sapos são muito mais interessantes que príncipes.
Esses últimos estão sempre impecáveis, com suas caras de bons moços, com
seus cabelos bem arrumados e com aquela apatia de sempre.
Eles até saem em busca da princesa, mas é sempre daquele jeito tradicional, matando o mesmo dragão ou
bruxa.
Pior, hoje em dia eles só fogem deles, nem matar matam mais].

E como recém nascido sou eu, tendo que abrir os olhos e encarar esse mundo doidão.
Tão mais gostoso, tão mais aconchegante aqui dentro no meu mundinho. Quentinho.
Não quero sair não.
Vou ficar mais um pouquinho.

Escuta aí o vídeo da bela obra que me provocou todos esses sentimentos e me deixa aqui mais um pouco.
Quietinha. Quentinha.



sábado, 7 de julho de 2012






               "As pessoas suportam tudo. Às vezes elas procuram exatamente o que será capaz de doer ainda mais fundo, o verso justo, a música perfeita, o filme exato, punhaladas revirando um talho quase fechado, cada palavra, cada acorde, cada cena, até a dor esgotar-se autogáfica, consumida em si mesma transformada  em outra coisa que não saberia dizer qual era".

Caio Fernando Abreu.



               

terça-feira, 19 de junho de 2012

Quando me perco é que me acho.

Tenho percebido que meus textos, discusos, conversas, pensamentos andam desconexos.

Num mesmo paragráfo eu digo e me "des"digo.
Quando um amigo me disse isso eu irritei-me na hora.
Como assim? Esse gurizinho me questionando.
Comecei prestar atenção nas coisas que tinha dito/escrito.
E não é que o paulista estava certo!

Sabe quando você não tem um caminho pra ir, que qualquer estradinha que abrir é um alivio?
Mas você também não sabe se quer muito essa estradinha, então quando aparece outra você
entra na outra, e em outra, e em outra.
E ai? Quando se dá conta, nem lembra mais aonde estava tentando chegar.
Geralmente nesse momento aparece uma encruzilhada.
Estradas grandes. Nada de estradinhas.
Estradonas. Vias expressas.

E tenho percebido mais:
eu sempre corro aqui pro blog quando estou meio confusa.
Preciso escrever, visualizar minhas idéias, mesmo que estejam assim, confusas.
E dei uma olhada nos outros textos.

Sassenhora!!
Quem era aquela pessoa que escrevia?
Não pode ser eu!
Não pode.
Ou pode?
Pode.

Meio que me caiu a ficha.
Aquilo que sou foi construído a partir das estradinhas pequenas, das idas e vindas.
E das voltas.
Porque as encruzilhadas são poucas, mas o caminho é o tempo todo.
Então eu sou feita de todas essas buscas, e essas incertezas.
Pode isso Arnaldo?

Então me sinto feliz, por me permitir toda a vida a me questionar, a me sentir confusa.
A caminhar pelas estradinhas.
As vias expressas são claras, rápidas, certas.
Mas são tão chatas.
Sem falar que se chega mais rápido ao caminho.
Acabei de sentir uma certeza em mim: a vontade de não seguir (sempre) pelas vias expressas.
Quero ver as flores que nascem à beira das estradas, quero ver a paisagem, um ou outro animal que passa.

 E que seja bem vindo esse novo período cheio de dúvidas, incertezas e aprendizados.




terça-feira, 12 de junho de 2012

Love is in the air S2







O dia dos namorados.
O tão esperado dia dos namorados.
Desde os que fazem planos para comemorá-lo desde por aqueles que querem esquecê-lo.
O amor. Um parceiro.
Tema tão complexo desde as cavernas até hoje.
Se o ser humano é um "bicho" social e feito para viver aos pares, por que tanta gente sozinha?
(deixa de fora os que vivem em três, quatro..... um harém).
A tão fascinante arte/sorte de encontrar um par.

Nos faces da vida vê se bem esses  públicos: os que ostentam seus relacionamentos, os que gritam enlouquecidamente a procura de um, os que fogem dele, e os que dizem não se importar mas não param de conferir a caixa de entrada do celular, do e-mail, do facebook, da frente da casa, do telefone...

Eu até ia dizer que existem os que dizem que não querem mas que é mentira porque ninguém quer ficar sozinho.
Até que me lembrei de uma fase pessoal, onde apesar de querer uma coisa boa pra mim, o medo de um
relacionamento era bem maior que esse desejo bom.
As vezes um coração machucado custa a recuperar-se. E não adianta colocar uma enfermeira gostosona na frente dele. O corpo pode até gostar, mas o coração é um outro nível.
Precisa de tempo, de coragem.

É. Coragem.
Taí uma palavra que devia vir grudada junto com relacionamento por um hífen.
Não há relacionamento sem coragem.
Ou equilíbrio? Ou entrega? Ou loucura?

Tudo. Tudo e muito mais.
Muito, muito mais.

Eu acho o amor lindo, gostoso.
Tanto que tô querendo um pra mim também.
Será? Agora?
Ai meu Deus. Agora sim!
Sim, sim, sim!

Me dêem licença.
Vou correr comprar um Santo Antônio pra pôr de cabeça pra baixo.

Bjos e boa madrugada pros enamorados...    ;)

terça-feira, 5 de junho de 2012

São Paulo: eu tenho uma queda por você.

BUENAS!

Sim, ainda me encontro em São Paulo.
Engraçado, como a minha cabeça tem usado muito a combinação dessas palavras: me - encontro - São paulo.
Nada de coincidência, essas coisas não existem.
Tenho encontrado mesmo muita gente. Amigos, família, pessoas novas.
Que delícias de encontros.
Mas mais que isso, tenho me encontrado.
Já comentei aqui no blog que as viagens, principalmente de ônibus, me ajudam
pôr os pensamentos em ordem, as claras.
Essa viagem foi além do normal.
Tanta coisa vivida, tanto sentimento revirado, aflorado, exposto, transformado.
Já comentei com uma amiga especial que notei que nos últimos tempos tenho apenas sobrevivido.
Uma hibernação que se estende ao verão. Saca?
Bela adormecida,
Lagarta no casulo,
vinho na pipa.
Só que cansa, dói a bunda, enferruja as articulações, enfraquece o espírito.
Essa falta de movimento entedia.

Preciso comentar sobre São Paulo.
Eu, criada a maioria do tempo, lá no oeste catarinense, tinha um grande preconceito com São Paulo (cidade e estado).
Era o pior lugar do mundo.
As informações selecionados e distorcidas que os noticiários forneceram ajudaram muito.
Eu nunca fui de receber uma informação mastigadinha e engoli-lá, mas nesse caso foi bem assim que aconteceu.
Até que minha tia, que mora aqui há 20 anos, me ligou dizendo que me daria o vestido de formatura, mas com a condição de que eu viesse à São Paulo para escolhe-lo.
E vim. E me surpreendi. E me encantei.
E vi que você pode caminhar pela calçada, que não precisa construir um abrigo subterrâneo e viver fechado nele para que não seja assaltado, sequestrado...
E caiu por terra milhares de imagens e medos que tinha como verdadeiros.
Não que essas coisas não aconteçam, mas elas não acontecem a cada 10 minutos com todas as pessoas.
Depois de 15 meses voltei.
E me apaixonei.
Como já vim sem tantos temores e disposta à conhecer e aproveitar tudo o que a cidade tem a proporcionar: conheci lugares espetaculares, pessoas interessantíssimas.

Mas não é um amor cego.
É triste perceber que tem tanta gente, mas que seu circulo de pessoas é tão restrito.
Que chegar em 5 ou 10 minutos ao trabalho é um luxo de cidade pequena.

Muitas considerações feitas.
Muitas portas abertas.

Nem 8, nem 80.
Conheci o interior paulista.
Ahhhh, o interior paulista!
Com jeito e ares de cidade pequena, misturado com possibilidades das cidades grandes.
E que paisagens, e que pessoas!
Deslumbrante.

E em meio a tudo isso eu me pergunto:
onde é mesmo meu lugar no mundo?                                           
E lembro da frase tão copiada pelos faces da vida (e que eu ainda não sei o autor) mas:
O SEU LUGAR É ONDE SEU CORAÇÃO QUER ESTAR.

Esse texto, enfim, é para me retratar com essa adorável terra, acolhedora de tantas pessoas, de tantos lugares, de tantas culturas.
São Paulo, eu tenho uma queda por você!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

De volta na estrada.

Volto eu pra estrada. Quanto tempo! Eis que minha bunda senta nas tão usadas poltranas pra minha cabeça voar, voar e voar. São tantas coisas que vão passando pela minha cabeça e eu pensando: preciso pôr isso no blog. Algumas dores de cotovelos, as tentativas desesperadas e inuteis de negá-las. Como a gente fica idiota quando tem os sentimentos feridos. Tão, tão idiotas! E o que o busão tem a ver com isso? Tempo de sobra pra pensar sem mais distrações pra se entreter. Eu vou observando a paisagem e meus sentimentos. Tudo culmina num turbilhão: trabalho, falta de trabalho, concurso, dinheiro, pós-graduação, família, perspectiva, carinho, relacionamento, amizade, conhecimento, conta, desconhecido. Muita coisa. E nem dá tempo de ir resolvendo uma por vez. Tudo explode. Hiroshima, Nagasaki.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Todo gesto de amor.




"Maio já está no final, e o que somos nós afinal..."

Hahahaha. Veio tão espontaneamente a piadinha com a música que eu não poderia deixar de fazê-la.
Aliás, acho que tudo o que vem na gente naturalmente deveria ser executado naturalmente.
Maio está acabando mesmo. O mês das noivas e entraremos no mês dos namorados.
Como eu não tenho namorado (mais), preciso encontrar uma boa forma pra viver esse mês que, embora não tendo namorado, vai existir pra mim também.
Eu não tenho namorado, mas tenho amor.
Não, não, não.
Não vou falar sobre o amor ou o que ele é. Não tenho conhecimento suficiente pra isso. Quanto mais o tempo passa mais percebo o quão há de se aprender sobre esse assunto.
Mas uma coisa ha que eu possa falar do amor: seus gestos, suas materializações.
Embora muita gente não saiba definir ou explicar o que é o amor, todo mundo reconhece quando um gesto do mesmo é dirigido-lhe.
Independente de qual seja sua religião ou se você não acredita em Deus/Deuses/Profetas/Budas, há uma regra moral que devemos ser bons uns com os outros, inclusive a si mesmo.
E o que é a bondade senão amor?
Não estou me referindo aquele amor carnal de duas pessoas (independente de opção sexual), tô falando do amor mais bonito, mais puro e mais elevado.
Segundo a minha orientação religiosa há somente dois preceitos que o ser humano precisa viver, o da caridade e o do amor, e os dois estão interligados intimamente.
Você reconhece um gesto de amor, de longe, ninguém precisa explicar.
Todos os dias eu vejo isso ao meu redor.
Vou citar alguns:
- Toda terça e quinta feira eu jogo volei à noite. A dona Maria, mulher que limpa nossa casa, coloca as joelheiras em cima da minha cama para que eu não esqueça do volei. Ela também já deixa minha cama com as cobertas prontas quando é frio.
- Mesmo que esteja apressado, quando meu pai passa por uma cidade do Paraná ele sempre para pra comprar um queijo que eu adoro. Ele também sempre faz linguicinha no churrasco porque sabe que é a minha opção preferida. Ele faz várias pequenas outras coisas que me encantam todo dia.
_ Minha mãe sempre procura fazer tabule (que eu a-do-ro) e já coloca a colher virada pro meu lado. Ela sempre aparece com umas idéias como quem não quer nada e que salvam o meu dia.
- Depois de um evento meio traumático nesse final de semana, a primeira coisa que meu irmão fez quando o perigo maior passou, foi se enfiar lá fora, no meio da confusão pra saber se eu estava lá. Ele também já deixa água quente no fogão quando é frio porque eu chego em casa e faço sopa.
- Amigos de uma infância toda que mesmo não podendo mesmo, acabam fazendo milagre a aparecendo pra sua formatura, quando já se tinha constatado que não seria possível.
- Você sabe que é amado por alguém quando ela ganha uma coisa, e mesmo que tenha que esperar muito tempo, ela guarda para entregar pra você.
- Quando a pessoa que vai dormir com você sai de baixo das cobertar quentinhas e vai pro frio do inverno só pra arrumar as cobertas do seu pé pra que você não se esfrie.
- O seu chefe que tem paciência pra explicar onde você errou e que te libera 4 dias pra fazer uma prova que, se passar, você o deixará na mão bem na época que ele mais precisa.
- Uma amiga que pressente que você está de bode, te liga e diz: "vamos tomar todas e falar mal de todo mundo que a gente quiser".

Enfim, poderia falar de tanta coisa, mas são tantos gestos lindos que acontecem todo dia que a gente acaba burocratizando-os, nos acostumando com eles e perdemos sensibilidade de nos alegrar com cada pequeno gesto de despreendimento.

Que Deus não permita que eu fique cega frente às belezas da vida.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

E agora Jesus?


Deus, tô tão cansada disso tudo!
Tô tão cansada de gastar tanta energia pra tentar entender coisas que eu não entendo e acho que vou morrer sem entender.
Tô tão cansada de nadar, nadar contra a correnteza e não conseguir ir pra frente.
Me diga Deus, você que sabe tudo: que diacho eu tenho que fazer pra sair desse caos em que me encontro?
Você sabe, me conhece bem, eu não fico esperando a vida acontecer. Eu arregaço as mangas e dou a cara pra bater.
Mas pra quê?
Pra que tem servido tanta energia?
Pra eu me sentir esgotada. Só pra isso.
Eu queria parar de pensar sobre as coisas.
Invejo tanto algumas amigas que ligam o foda-se e vivem a vida.
Cadê o meu botãozinho? Sumiu.
Sumiu sim. Ele existia aqui. Quantas vezes eu o usei. E aonde ele foi parar?
Tenho um ódio mortal de mim as vezes. Ultimamente, quase sempre.
Eu percebo as coisas mas me entrego pra elas como se não soubesse o que ia acontecer.
Eu sabia que esse namoro ia terminar. Uma pessoa que recebe depoimento do próprio namorado com uma música em que troca a frase: "minha namorada" por "minha mãe)- o trecho da música: "não é que eu não queira ser só de você, ser sua paixão. É que minha namorada não vai gostar quase nada dessa decisão"- não pode ter chance de dar certo.
Eu percebo quando a maioria das pessoas chega pra me sugar, porque sabem que eu vou ouvir, ficar junto e entender a situação. Eu sei que vai me cansar, que eu vou me sentir usada, mas quando vejo já tô na situação, muitas vezes mais envolvida e usando mais energia que a própria pessoa dona do problema.
No fim, quando as coisas estão resolvidas ou quando ele se sentiu mais aliviada, ela vai embora feliz e fico eu, em cacos, para trás.
Então me diga senhor. de que adianta essa inteligência se no final eu só faço burrada?
Ou será que vai ser assim pra sempre, eu me doando inteira pro mundo e recebendo quase nada em troca?
Por que eu não consigo viver com um pé atrás? Ou é sempre os dois, com medo de viver a vida; ou é sem nenhum, quando muito facilmente perco o equilibrio e dou de cara no chão.
Eu odeio tanto essa minha profissão. As pessoas sugam tanto de mim e isso que eu nem estou ganhando pra isso. Se pelo menos fosse trabalhandinho.
Eu sei que eu não entrei na psicologia e me tornei assim. Sei que eu sempre fui assim e que, justamente por isso, a psicologia surgiu normalmente na minha vida.
Mas eu tô cansada!
Eu queria que pelo menos um pouco, só pra variar, alguém dissesse: senta aí e fica quietinha Giana que eu vou resolver as coisas pra você.
As pessoas dizem que eu sou forte, que eu dou a volta por cima. É claro, assim elas se sentem menos responsáveis e me deixam nadar sozinha.
Eu nunca acordei e disse: hoje eu vou ser forte só porque eu quero ser assim.
Foi necessidade.
Mentira, foi escolha.
Eu podia ter sido e, ainda ser, uma bananona que fica vendo a vida passar. Ficar me escondendo atrás dos outros e esperando que a vida aconteça.
Escolhi o contrário. Escolhi olhar pra vida e dizer: "pode vim que eu aguento. Aqui, pode mirar aqui no peito que eu dou conta".
Por amor eu fiz essas escolhas, por amor a minha mãe e meu irmão, por amor ao meu pai que ficava longe, por amor às minhas amigas, por amor a um garoto.
Eu sei que eu escolhi.
Se eu pudesse escolher provavelmente faria essas escolhas novamente.
Sou assim.
Eu não me arrependo das escolhas, me arrependo das consequências.
Pensei sempre mais nos outros que em mim, e eles, pensaram neles, é claro.
Resultado: essa minha situação angustiante.
Eu entendo muito bem as pessoas que enlouquecem.
Quando fui pro estágio em Porto Alegre numa clínica psiquiátrica e na minha experiência breve de professora numa APAE, percebi como a tristeza é tão angustiante, tão desesperadora, tão insuportável, que a loucura é um caminho muito provável.
Muito mais fácil enfrentar as coisas que sentimos num mundo de fantasia. Criar um mundo novo é a melhor fuga que existe.
Quem nunca imaginou uma coisa diferente quando estava amuado?
Então Deus, que é que eu faço?
Eu não sei ficar esperando as coisas acontecerem. Isso me enlouquece muito mais do que ter que entrar no campo de batalha. Eu também não sei o que fazer pra me tirar desse caos.
Me ajuda!
Me leva pra um lugar novo, pra uma pessoa nova, pra mim mesmo renovada.
Eu te suplico senhor!
Só me ajude juntar essa energia toda que se dispersou...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Quando não se sabe o que dizer....

Quando eu comecei esse blog eu estava solteira.
Aliás.
Tinha o sido por todo o tempo anterior de minha breve existência.
Sempre tive um impeto de querer provar pra alguém que eu podia fazer as coisas.
Até hoje não sei a quem eu queria provar, mas sei que, de vez em quando, ainda me dá uns loucuras dessas.
Bem novinha, via minhas amigas se apaixonarem e se machucarem.
Pensava comigo: eu é que não vou me entregar pra esse bandido.
Mas teve o primeiro beijo, e é claro, eu tinha uma certa queda de 3.000 quilometros por aquele garoto. Pena que ele era muito ligeirinho e nem sequer desconfiou que aquele era o meu primeiro beijo. Me assustou. Tanto que passei anos adquirindo comportamentos frios e antihumanos pra tentar elaborar aquela investida voraz.
Depois disso, nunca dei chance ao acaso de me apaixonar.
Já ficava com alguém pensando em como eu ia fazer pra romper o laço.
Desenvolvi uma armadura.
Ninguém invadia mais meus pensamentos, meu coração.
Eu tinha amores de uma noite, de uma festa.
Esse era o tempo máximo de duração.
Depois disso mofava.

Mas como toda humana, um dia, por mais que eu corresse, eu ia me deparar com esse sentimento. E ele aconteceu.
Num acaso da internet, do orkut, eu encontrei alguém diferente.
Conversamos por meses até que ele veio pra um encontro de estudante (me ver, na verdade).
Sim, eramos do mesmo curso, mas de cidades diferentes.
E ficamos, e nos envolvemos. Foi tão natural. Eu não me preocupei em cortar laços
porque o término do encontro seria responsável por isso.
Passamos dois dias como se já fossemos um casal. O entrosamento, as histórias.
E fomos mesmo porque mesmo ele indo embora o laço não foi cortado.
E decidimos assumir uma história.
E foi linda.
Ah como essa história me tras coisas boas.
As vezes eu ainda choro, de saudade, de alegria, de nostalgia.
Foi uma coisa muito boa, e acabou.
Por dias eu procurei encontrar a razão. Muitas vezes me arrependi, queria voltar atras. Por outras não queria nem o cheiro de volta.
Uma vez eu li que o amor é uma droga. E eu acho que é mesmo.
Quando ele se vai, por mais que não queiramos mais a outra pessoa, há as crises de abstinência, o corpo sente.
Era alguma coisa que fazia parte de mim por muito tempo e que, de repente, não era mais.
Continuamos conversando e esse é o meu maior desafio. Nos gostamos, mesmo.
Só que não é mais paixão.
Tento aprimorar com ele minhas qualidades humanas.
Ter que ouví-lo dizer que está muito bem, muito animado com a nova namorada não é exatamente um carinho pro ego.
Ouvir suas queixas e não poder ir lá oferecer o ombro talvez seja pior que a primeira.
Não sei ligar o foda-se e mandar as coisas (ele) pro espaço.
Não sou assim.

Da mesma forma que um novo amor parece vir surgindo.
Ouvindo minha razão, eu deveria me conter, ir devagar.
Não me entregar tanto quanto na outra relação.
Mas eu não sou assim.
Não sei fazer as coisas por um pouco.
Ou é tudo ou é nada.
Me jogo. Adoro essa sensação de se jogar de olhos fechados no abismo.
Me jogo mesmo.
Me entrego.
Rezo antes, durante e depois e essa é minha única proteção.
Não vou deixar um amor que não deu certo. Quer dizer, dar deu, só não durou.
Então, não vou deixar um amor que não durou me fechar justo agora que eu tirei a armadura, justo agora que me libertei, me encontrei.
O amor antigo me ajudou nisso. Descobrir essa parte frágil e gostar dela.
Gostei tanto disso que vou continuar.

Se eu chorar, deixa.
Depois de uns dias eu seco a lágrima e continuo caminhando com a cabeça mais altiva que antes, porque sei que posso caminhar.

quarta-feira, 9 de março de 2011

De volta pro busão.

Durante todo o tempo que estive ausente viajei de carro, de barco, de moto e, claro, de busão também.
Entretanto fui muito egoísta. Deixei de repartir com vocês as paisagens das minhas janelas.
Volto aqui hoje, cheia de coisas pra dividir,entretanto decidi pouco escrever, para mais pensar, para mais entender, para mais me erguer.

Como não estou mais habituada a colocar meus sentimentos puros e nus, aqui, sobre estas páginas eletrônicas utilizo o texto de uma brilhante escritora e blogueira que descobri neste tempo de viagem solitária.
O nome dela é Tati Bernardes.

Vamos lá! :


Boa demais pra você
Tati Bernardi


Fala, eu aguento. Vocês foram embora apenas porque acabou o tesão, porque a assistente nova que apareceu prometia um sexo mais selvagem. Ou porque, uma vez tendo conseguido tudo de mim, vocês, caçadores, precisavam de uma nova presa. Ou porque é assim mesmo. As coisas começam e acabam. Tudo bem que ando meio sem “meio” nessa infinidade de começos e fins. Tudo é muito rápido. E daí vêm minhas amigas e analistas e livros e filmes e peças de teatro e tias e mães de amigas: eles têm medo de você. Porque você ganha bem, porque você tem opinião, porque você namorou muitos caras, porque você é crítica, porque você é inteligente. Ah vá. E Papai Noel e Coelhinho da Páscoa também foram embora porque nós, mulheres modernas, assustamos eles. E que mulher em pleno 2011 não é moderna? Que papo mais besta e mentiroso. Espia aí da sua janela. Por acaso você vê alguma virgem andando de anágua na rua, acompanhada de um homem para não ficar mal-falada? Por favor, me ajude a parar a disseminação desenfreada dessa falácia. Fale pra sua mulher “tô indo embora porque você tem bafo”. Ou ainda “tô indo embora porque odeio o som que você faz pra limpar a garganta de manhã”. Pode ser bem sincero mesmo, “tô indo embora porque preciso comer alguém mais magra”. Pode doer na hora, mas é melhor do que essa multidão de mulheres tagarelando pelas ruas com seus saltos e diplomas e agendas e pressas: coitado, sou muito boa pra ele, ele ficou com medo de mim!

Você que nasceu homem, você que nasceu esse ser completamente diferente e estranho pra mim, mas que, ainda assim, é algo sem o qual minha vida fica triste e chata, faça um favor: me escreva e seja muito honesto. Prometo jamais divulgar seu nome. Leio e deleto tudo. Mas, se você tem piedade do sexo oposto, por favor, só por esta vez, me diga honestamente: existe MESMO esse lance de ter medo de mulher bacanuda? Porque esse papo, que tanto ouvimos em psicanalistas, programas de auditório, cartomantes e revistas modernas da mulher suicida… Não, não pode ser. Eu não posso crer que uma burra assuste menos. Eu duvido que uma feinha seja melhor porque causa menos dor de
cabeça. Que uma sonsa muda e sem opinião seja o símbolo da paz que vocês tanto buscam. Pra mim é inaceitável que uma mulher vivida possa colocar a segurança de vocês em risco.

Me digam que é mentira, por favor. Não é possível que sonhamos a vida inteira com seres tão fracos para construirmos nossas vidas. E que, enquanto lemos e aprendemos e malhamos e ganhamos dinheiro e curtimos a vida para nos tornar mulheres mais interessantes e vividas e gostosas, só estamos nos distanciando mais de vocês. E que a prima lobotomizada do interior de Caxote Mirim do Cupuaçu mexe com vocês de um jeito inexplicável. Ela é doce e meiga. Ela nunca levanta a voz ou discorda. Ela não te cobra e sempre te recebe com um sorriso nos lábios. Ela te esperou a vida inteira. Ela não faz mal a uma mosca. Doce Maria das Graças, mulher que aturou seu avô, morreu sem nunca dar um murro na mesa do restaurante e nunca mais vai reencarnar, para o deleite dos seus oprimidos sonhos arcaicos.

Tati Bernardi é escritora e roteirista. Escreva para ela: tatibe@uol.com.br

domingo, 28 de junho de 2009

Tu e eu. Outro do Veríssimo!

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
En não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albônico.
Tu,fão.
Eu,fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu,piniquim.
Eu,ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu,multo.
Eu,carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu,cano.
Eu,clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu,tano.
Eu,femismo.

A-do-ro o Veríssimo!!

Antes de tudo eu preciso dizer que estou me apaixonando.
Eu já tinha um certo conhecimento, uma leve paquera, mas que tinha ficado meio pra trás.
Agora ela vem vindo com tudo.
Ah que saudade de ti (nessas épocas de TCC) Veríssimo!


Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender (Luis Fernando Veríssimo)

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.


Texto retirado do site: http://www.pensador.info/autor/Luis_Fernando_Verissimo/

terça-feira, 9 de junho de 2009

A metamorfose

"Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi, que horror! Preciso me livrar dessas baratas!
Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupa de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas, era uma boa faxineira.
Difícil era ser gente. As baratas comem o que encontram pela frente. Vandirene precisava comprar sua comida e o dinheiro não chegava. As baratas acasalavam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Se conhecem, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. A primeira noite. Vandirene e seu torneiro mecânico. Difícil. Você não sabe nada, bem? Como dizer que a virgindade é desconhecida entre as baratas? As preliminares, o nervosismo. Foi bom? Eu sei que não foi. Você não me ama. Se eu fosse alguém você me amaria. Vocês falam demais, disse Vandirene. Queria dizer, vocês, os humanos, mas o marido não entendeu; pensou que era vocês, os homens. Vandirene apanhou. O marido ameaçou de morte. Vandirene não entendeu. O conceito de morte não existe entre as baratas. Vandirene não acreditou. Como é que alguém podia viver sabendo que ia morrer?
Vandirene teve filhos. Lutou muito. Filas de INPS. Creches. Pouco leite. O marido desempregado. Finalmente, acertou na esportiva. Quase quatro milhões. Entre as baratas, ter ou não ter quatro milhões não faria diferença. A barata continuaria a ter o mesmo aspecto e a andar com o mesmo grupo. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Trocou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer e dar de comer de tudo, a cuidar onde colocava o pronome. Subiu de classe. (Entre as baratas, não existe o conceito de classe.) Contratou babás e entrou na PUC. Começou a ler tudo o que podia. Sua maior preocupação era a morte. Ela ia morrer. Os filhos iam morrer. O marido ia morrer - não que ele fizesse falta. O mundo inteiro, um dia, ia desaparecer. O sol. O universo. Tudo. Se espaço é o que existe entre a matéria, o que é que fica quando não há mais matéria? Como se chama a ausência do vazio? E o que será de mim quando não houver mais nem o nada? A angústia é desconhecida entre as baratas.
Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi, meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significava nada para as baratas".

VERÍSSIMO, Luis Fernando. O Gigolô das palavras. Porto Alegre, L&PM, 1982.

sábado, 16 de maio de 2009





Eu confesso, sem pressão, que eu sou uma menina infeliz.
É, menina mesmo.
Eu até cheguei a pensar que tivesse me tornado uma mulher.
Não pelo hímem ou pela idade, mas pelas coisas que vinha pensando
e vivendo.
Descobri que não. Uma mulher, uma "adulta" não tem de se submeter ao mundo.
Tem coragem de fazer as coisas pelas quais tem vontade.
Ahh, essa maldita coragem que me falta.
Provavelmente eu não estaria mais aqui.
Não sei onde estaria, mas não aqui, de certeza.
De preferência um lugar que não precisasse ser longe,mas que não
me ligasse a nada dessa terra cinzenta.
Também não precisava ser numa terra colorida, sendo que eu pudesse viver me bastaria.
Ah, e o infeliz?
O infeliz.
É, na maioria dos dias eu não diria isso.
Na maioria dos dias eu teria um sorrisão e uma piadinha na ponta da língua.
Na maioria, não hoje.
Hoje é daqueles dias que a verdade se coloca na nossa frente
e é impossível não vê-la.
Essa minha coisa de usar o húmor como máscara...


E quer saber o que eu mais odeio?
Essa coisa de aparecerem coisas na vida que nos dão esperanças.
Esperança é um placebo mesmo.
Pena que não funcionem tão bem quanto as pilulas de farinha do Frei Galvão.
A esperança faz com que saiamos do estado de realidade que vivemos, faz com que sonhemos, que planejemos e pra quê?
Pra não acontecer nada daquilo que esperamos.
Não importan se é um amigo novo, uma graninha a mais, um namorado,
uns quilos a menos; tudo vem pra nos enganar.

Não se engane, caro leitor, o mundo é mesmo essa merda
que pensamos que é, nos dias chuvosos que temos que sair a pé.


Tem dias que dormir pra sempre não parece tão má idéia.


Sem assinar, meu humor não tá pra isso hoje.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Amo Neruda e outros mais....

Neruda, o Pablo, que me desculpe, mas não consegui
escolher dentre um de seus sonetos.
Hoje vou utilizar três deles pra compartilhar:

XXV

"ANTES de amar-te, amor, nada era meu:
vacilei pelas ruas e as coisas:
nada contava nem tinha nome:
o mundo era do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,
túneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,
caído, abandonado e decaído,
tudo era inalienavelmente alheio,

tudo era dos outros e de ninguém,
até que tua beleza e tua pobreza
de dádivas encheram o outono."




VII
"VIRÁS comigo', disse, sem que ninguém soubesse
onde e como pulsava meu estado doloroso
e para mim não havia cravo nem barcarola,
nada senão uma ferida pelo amor aberta.

Repeti: vem comigo, como se moresse,
e ninguém viu em minha boca a lua qeu sangrava,
ninguém viu aquele sangue que subia ao silèncio.
Oh, amor, agora esqueçamos a estrela com pontas!

Por isso quando ouvi que tua voz repetia
'Virás comigo', foi como se desatasses
dor, amor, a fúria do vinho encarcerado

que de sua cantina submergida soubesse
e outra vez em minha boca senti um sabor de chama,
de sangue e cravos, de pedra e queimadura."





XI
"TENHO fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe."




Ah Pablo (esses Pablos da minha vida!), para de ler meu coração!


Giana, a nova!