Este blog é para aqueles que, como eu, sempre que viajam de ônibus, carro, avião, jegue ou seja lá o que for, sempre aproveitam esse tempo para pensar, refletir sobre a vida ou mesmo distrair-se para o tempo passar mais rápido!! Boa viagem!!

sábado, 7 de julho de 2012






               "As pessoas suportam tudo. Às vezes elas procuram exatamente o que será capaz de doer ainda mais fundo, o verso justo, a música perfeita, o filme exato, punhaladas revirando um talho quase fechado, cada palavra, cada acorde, cada cena, até a dor esgotar-se autogáfica, consumida em si mesma transformada  em outra coisa que não saberia dizer qual era".

Caio Fernando Abreu.



               

terça-feira, 19 de junho de 2012

Quando me perco é que me acho.

Tenho percebido que meus textos, discusos, conversas, pensamentos andam desconexos.

Num mesmo paragráfo eu digo e me "des"digo.
Quando um amigo me disse isso eu irritei-me na hora.
Como assim? Esse gurizinho me questionando.
Comecei prestar atenção nas coisas que tinha dito/escrito.
E não é que o paulista estava certo!

Sabe quando você não tem um caminho pra ir, que qualquer estradinha que abrir é um alivio?
Mas você também não sabe se quer muito essa estradinha, então quando aparece outra você
entra na outra, e em outra, e em outra.
E ai? Quando se dá conta, nem lembra mais aonde estava tentando chegar.
Geralmente nesse momento aparece uma encruzilhada.
Estradas grandes. Nada de estradinhas.
Estradonas. Vias expressas.

E tenho percebido mais:
eu sempre corro aqui pro blog quando estou meio confusa.
Preciso escrever, visualizar minhas idéias, mesmo que estejam assim, confusas.
E dei uma olhada nos outros textos.

Sassenhora!!
Quem era aquela pessoa que escrevia?
Não pode ser eu!
Não pode.
Ou pode?
Pode.

Meio que me caiu a ficha.
Aquilo que sou foi construído a partir das estradinhas pequenas, das idas e vindas.
E das voltas.
Porque as encruzilhadas são poucas, mas o caminho é o tempo todo.
Então eu sou feita de todas essas buscas, e essas incertezas.
Pode isso Arnaldo?

Então me sinto feliz, por me permitir toda a vida a me questionar, a me sentir confusa.
A caminhar pelas estradinhas.
As vias expressas são claras, rápidas, certas.
Mas são tão chatas.
Sem falar que se chega mais rápido ao caminho.
Acabei de sentir uma certeza em mim: a vontade de não seguir (sempre) pelas vias expressas.
Quero ver as flores que nascem à beira das estradas, quero ver a paisagem, um ou outro animal que passa.

 E que seja bem vindo esse novo período cheio de dúvidas, incertezas e aprendizados.




terça-feira, 12 de junho de 2012

Love is in the air S2







O dia dos namorados.
O tão esperado dia dos namorados.
Desde os que fazem planos para comemorá-lo desde por aqueles que querem esquecê-lo.
O amor. Um parceiro.
Tema tão complexo desde as cavernas até hoje.
Se o ser humano é um "bicho" social e feito para viver aos pares, por que tanta gente sozinha?
(deixa de fora os que vivem em três, quatro..... um harém).
A tão fascinante arte/sorte de encontrar um par.

Nos faces da vida vê se bem esses  públicos: os que ostentam seus relacionamentos, os que gritam enlouquecidamente a procura de um, os que fogem dele, e os que dizem não se importar mas não param de conferir a caixa de entrada do celular, do e-mail, do facebook, da frente da casa, do telefone...

Eu até ia dizer que existem os que dizem que não querem mas que é mentira porque ninguém quer ficar sozinho.
Até que me lembrei de uma fase pessoal, onde apesar de querer uma coisa boa pra mim, o medo de um
relacionamento era bem maior que esse desejo bom.
As vezes um coração machucado custa a recuperar-se. E não adianta colocar uma enfermeira gostosona na frente dele. O corpo pode até gostar, mas o coração é um outro nível.
Precisa de tempo, de coragem.

É. Coragem.
Taí uma palavra que devia vir grudada junto com relacionamento por um hífen.
Não há relacionamento sem coragem.
Ou equilíbrio? Ou entrega? Ou loucura?

Tudo. Tudo e muito mais.
Muito, muito mais.

Eu acho o amor lindo, gostoso.
Tanto que tô querendo um pra mim também.
Será? Agora?
Ai meu Deus. Agora sim!
Sim, sim, sim!

Me dêem licença.
Vou correr comprar um Santo Antônio pra pôr de cabeça pra baixo.

Bjos e boa madrugada pros enamorados...    ;)

terça-feira, 5 de junho de 2012

São Paulo: eu tenho uma queda por você.

BUENAS!

Sim, ainda me encontro em São Paulo.
Engraçado, como a minha cabeça tem usado muito a combinação dessas palavras: me - encontro - São paulo.
Nada de coincidência, essas coisas não existem.
Tenho encontrado mesmo muita gente. Amigos, família, pessoas novas.
Que delícias de encontros.
Mas mais que isso, tenho me encontrado.
Já comentei aqui no blog que as viagens, principalmente de ônibus, me ajudam
pôr os pensamentos em ordem, as claras.
Essa viagem foi além do normal.
Tanta coisa vivida, tanto sentimento revirado, aflorado, exposto, transformado.
Já comentei com uma amiga especial que notei que nos últimos tempos tenho apenas sobrevivido.
Uma hibernação que se estende ao verão. Saca?
Bela adormecida,
Lagarta no casulo,
vinho na pipa.
Só que cansa, dói a bunda, enferruja as articulações, enfraquece o espírito.
Essa falta de movimento entedia.

Preciso comentar sobre São Paulo.
Eu, criada a maioria do tempo, lá no oeste catarinense, tinha um grande preconceito com São Paulo (cidade e estado).
Era o pior lugar do mundo.
As informações selecionados e distorcidas que os noticiários forneceram ajudaram muito.
Eu nunca fui de receber uma informação mastigadinha e engoli-lá, mas nesse caso foi bem assim que aconteceu.
Até que minha tia, que mora aqui há 20 anos, me ligou dizendo que me daria o vestido de formatura, mas com a condição de que eu viesse à São Paulo para escolhe-lo.
E vim. E me surpreendi. E me encantei.
E vi que você pode caminhar pela calçada, que não precisa construir um abrigo subterrâneo e viver fechado nele para que não seja assaltado, sequestrado...
E caiu por terra milhares de imagens e medos que tinha como verdadeiros.
Não que essas coisas não aconteçam, mas elas não acontecem a cada 10 minutos com todas as pessoas.
Depois de 15 meses voltei.
E me apaixonei.
Como já vim sem tantos temores e disposta à conhecer e aproveitar tudo o que a cidade tem a proporcionar: conheci lugares espetaculares, pessoas interessantíssimas.

Mas não é um amor cego.
É triste perceber que tem tanta gente, mas que seu circulo de pessoas é tão restrito.
Que chegar em 5 ou 10 minutos ao trabalho é um luxo de cidade pequena.

Muitas considerações feitas.
Muitas portas abertas.

Nem 8, nem 80.
Conheci o interior paulista.
Ahhhh, o interior paulista!
Com jeito e ares de cidade pequena, misturado com possibilidades das cidades grandes.
E que paisagens, e que pessoas!
Deslumbrante.

E em meio a tudo isso eu me pergunto:
onde é mesmo meu lugar no mundo?                                           
E lembro da frase tão copiada pelos faces da vida (e que eu ainda não sei o autor) mas:
O SEU LUGAR É ONDE SEU CORAÇÃO QUER ESTAR.

Esse texto, enfim, é para me retratar com essa adorável terra, acolhedora de tantas pessoas, de tantos lugares, de tantas culturas.
São Paulo, eu tenho uma queda por você!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

De volta na estrada.

Volto eu pra estrada. Quanto tempo! Eis que minha bunda senta nas tão usadas poltranas pra minha cabeça voar, voar e voar. São tantas coisas que vão passando pela minha cabeça e eu pensando: preciso pôr isso no blog. Algumas dores de cotovelos, as tentativas desesperadas e inuteis de negá-las. Como a gente fica idiota quando tem os sentimentos feridos. Tão, tão idiotas! E o que o busão tem a ver com isso? Tempo de sobra pra pensar sem mais distrações pra se entreter. Eu vou observando a paisagem e meus sentimentos. Tudo culmina num turbilhão: trabalho, falta de trabalho, concurso, dinheiro, pós-graduação, família, perspectiva, carinho, relacionamento, amizade, conhecimento, conta, desconhecido. Muita coisa. E nem dá tempo de ir resolvendo uma por vez. Tudo explode. Hiroshima, Nagasaki.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Todo gesto de amor.




"Maio já está no final, e o que somos nós afinal..."

Hahahaha. Veio tão espontaneamente a piadinha com a música que eu não poderia deixar de fazê-la.
Aliás, acho que tudo o que vem na gente naturalmente deveria ser executado naturalmente.
Maio está acabando mesmo. O mês das noivas e entraremos no mês dos namorados.
Como eu não tenho namorado (mais), preciso encontrar uma boa forma pra viver esse mês que, embora não tendo namorado, vai existir pra mim também.
Eu não tenho namorado, mas tenho amor.
Não, não, não.
Não vou falar sobre o amor ou o que ele é. Não tenho conhecimento suficiente pra isso. Quanto mais o tempo passa mais percebo o quão há de se aprender sobre esse assunto.
Mas uma coisa ha que eu possa falar do amor: seus gestos, suas materializações.
Embora muita gente não saiba definir ou explicar o que é o amor, todo mundo reconhece quando um gesto do mesmo é dirigido-lhe.
Independente de qual seja sua religião ou se você não acredita em Deus/Deuses/Profetas/Budas, há uma regra moral que devemos ser bons uns com os outros, inclusive a si mesmo.
E o que é a bondade senão amor?
Não estou me referindo aquele amor carnal de duas pessoas (independente de opção sexual), tô falando do amor mais bonito, mais puro e mais elevado.
Segundo a minha orientação religiosa há somente dois preceitos que o ser humano precisa viver, o da caridade e o do amor, e os dois estão interligados intimamente.
Você reconhece um gesto de amor, de longe, ninguém precisa explicar.
Todos os dias eu vejo isso ao meu redor.
Vou citar alguns:
- Toda terça e quinta feira eu jogo volei à noite. A dona Maria, mulher que limpa nossa casa, coloca as joelheiras em cima da minha cama para que eu não esqueça do volei. Ela também já deixa minha cama com as cobertas prontas quando é frio.
- Mesmo que esteja apressado, quando meu pai passa por uma cidade do Paraná ele sempre para pra comprar um queijo que eu adoro. Ele também sempre faz linguicinha no churrasco porque sabe que é a minha opção preferida. Ele faz várias pequenas outras coisas que me encantam todo dia.
_ Minha mãe sempre procura fazer tabule (que eu a-do-ro) e já coloca a colher virada pro meu lado. Ela sempre aparece com umas idéias como quem não quer nada e que salvam o meu dia.
- Depois de um evento meio traumático nesse final de semana, a primeira coisa que meu irmão fez quando o perigo maior passou, foi se enfiar lá fora, no meio da confusão pra saber se eu estava lá. Ele também já deixa água quente no fogão quando é frio porque eu chego em casa e faço sopa.
- Amigos de uma infância toda que mesmo não podendo mesmo, acabam fazendo milagre a aparecendo pra sua formatura, quando já se tinha constatado que não seria possível.
- Você sabe que é amado por alguém quando ela ganha uma coisa, e mesmo que tenha que esperar muito tempo, ela guarda para entregar pra você.
- Quando a pessoa que vai dormir com você sai de baixo das cobertar quentinhas e vai pro frio do inverno só pra arrumar as cobertas do seu pé pra que você não se esfrie.
- O seu chefe que tem paciência pra explicar onde você errou e que te libera 4 dias pra fazer uma prova que, se passar, você o deixará na mão bem na época que ele mais precisa.
- Uma amiga que pressente que você está de bode, te liga e diz: "vamos tomar todas e falar mal de todo mundo que a gente quiser".

Enfim, poderia falar de tanta coisa, mas são tantos gestos lindos que acontecem todo dia que a gente acaba burocratizando-os, nos acostumando com eles e perdemos sensibilidade de nos alegrar com cada pequeno gesto de despreendimento.

Que Deus não permita que eu fique cega frente às belezas da vida.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

E agora Jesus?


Deus, tô tão cansada disso tudo!
Tô tão cansada de gastar tanta energia pra tentar entender coisas que eu não entendo e acho que vou morrer sem entender.
Tô tão cansada de nadar, nadar contra a correnteza e não conseguir ir pra frente.
Me diga Deus, você que sabe tudo: que diacho eu tenho que fazer pra sair desse caos em que me encontro?
Você sabe, me conhece bem, eu não fico esperando a vida acontecer. Eu arregaço as mangas e dou a cara pra bater.
Mas pra quê?
Pra que tem servido tanta energia?
Pra eu me sentir esgotada. Só pra isso.
Eu queria parar de pensar sobre as coisas.
Invejo tanto algumas amigas que ligam o foda-se e vivem a vida.
Cadê o meu botãozinho? Sumiu.
Sumiu sim. Ele existia aqui. Quantas vezes eu o usei. E aonde ele foi parar?
Tenho um ódio mortal de mim as vezes. Ultimamente, quase sempre.
Eu percebo as coisas mas me entrego pra elas como se não soubesse o que ia acontecer.
Eu sabia que esse namoro ia terminar. Uma pessoa que recebe depoimento do próprio namorado com uma música em que troca a frase: "minha namorada" por "minha mãe)- o trecho da música: "não é que eu não queira ser só de você, ser sua paixão. É que minha namorada não vai gostar quase nada dessa decisão"- não pode ter chance de dar certo.
Eu percebo quando a maioria das pessoas chega pra me sugar, porque sabem que eu vou ouvir, ficar junto e entender a situação. Eu sei que vai me cansar, que eu vou me sentir usada, mas quando vejo já tô na situação, muitas vezes mais envolvida e usando mais energia que a própria pessoa dona do problema.
No fim, quando as coisas estão resolvidas ou quando ele se sentiu mais aliviada, ela vai embora feliz e fico eu, em cacos, para trás.
Então me diga senhor. de que adianta essa inteligência se no final eu só faço burrada?
Ou será que vai ser assim pra sempre, eu me doando inteira pro mundo e recebendo quase nada em troca?
Por que eu não consigo viver com um pé atrás? Ou é sempre os dois, com medo de viver a vida; ou é sem nenhum, quando muito facilmente perco o equilibrio e dou de cara no chão.
Eu odeio tanto essa minha profissão. As pessoas sugam tanto de mim e isso que eu nem estou ganhando pra isso. Se pelo menos fosse trabalhandinho.
Eu sei que eu não entrei na psicologia e me tornei assim. Sei que eu sempre fui assim e que, justamente por isso, a psicologia surgiu normalmente na minha vida.
Mas eu tô cansada!
Eu queria que pelo menos um pouco, só pra variar, alguém dissesse: senta aí e fica quietinha Giana que eu vou resolver as coisas pra você.
As pessoas dizem que eu sou forte, que eu dou a volta por cima. É claro, assim elas se sentem menos responsáveis e me deixam nadar sozinha.
Eu nunca acordei e disse: hoje eu vou ser forte só porque eu quero ser assim.
Foi necessidade.
Mentira, foi escolha.
Eu podia ter sido e, ainda ser, uma bananona que fica vendo a vida passar. Ficar me escondendo atrás dos outros e esperando que a vida aconteça.
Escolhi o contrário. Escolhi olhar pra vida e dizer: "pode vim que eu aguento. Aqui, pode mirar aqui no peito que eu dou conta".
Por amor eu fiz essas escolhas, por amor a minha mãe e meu irmão, por amor ao meu pai que ficava longe, por amor às minhas amigas, por amor a um garoto.
Eu sei que eu escolhi.
Se eu pudesse escolher provavelmente faria essas escolhas novamente.
Sou assim.
Eu não me arrependo das escolhas, me arrependo das consequências.
Pensei sempre mais nos outros que em mim, e eles, pensaram neles, é claro.
Resultado: essa minha situação angustiante.
Eu entendo muito bem as pessoas que enlouquecem.
Quando fui pro estágio em Porto Alegre numa clínica psiquiátrica e na minha experiência breve de professora numa APAE, percebi como a tristeza é tão angustiante, tão desesperadora, tão insuportável, que a loucura é um caminho muito provável.
Muito mais fácil enfrentar as coisas que sentimos num mundo de fantasia. Criar um mundo novo é a melhor fuga que existe.
Quem nunca imaginou uma coisa diferente quando estava amuado?
Então Deus, que é que eu faço?
Eu não sei ficar esperando as coisas acontecerem. Isso me enlouquece muito mais do que ter que entrar no campo de batalha. Eu também não sei o que fazer pra me tirar desse caos.
Me ajuda!
Me leva pra um lugar novo, pra uma pessoa nova, pra mim mesmo renovada.
Eu te suplico senhor!
Só me ajude juntar essa energia toda que se dispersou...